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CURATIVOS




Naquele tempo partir, ficar eram situações tão definidas e claras quanto o sol nascer todos os dias para suceder ao reinado das noites. Essa dor funda que ardía no peito não era semelhante a nenhuma outra. Talvez por isso, tentemos arrepiar o inevitável recorrendo a todas as lembranças que nos enchem a essência do que somos. A alma? Ou as almas do que se é? Dei comigo a espevitar recordações que julgara não ter, a descobrir significados para o que me parecera abstracto e achando-lhes conforto, entreguei a minha companhia a uma solidão nova, cheia de emoções, de cheiros e paladares. O peito que queimava aliviava-se quando partilhado na escrita, nas palavras trocadas com a minha mãe, no tocar os objectos que me havíam sido entregues na herança, na reencarnação de meu pai na figura do meu amigo invisivel e inventado que trouxera da infância e que houvera guardado no armário por vergonha. O que arde não cura, mas ajuda a suportar dores.

6 memórias:

Baila sem peso disse...

Num corpo rasgado e sangrado
Todo o toque na despedida
Algo que ajuda a sarar ferida!
E na lembrança vão voos de criança!

(e porque é que eu acho que entendo
o que nas entrelinhas vou lendo? Estes curativos, são-me de algum modo conhecidos...estranho, não!? Não, não tenho qualquer explicação! Apenas fraca intuição, e por isso peço perdão...foi só um aparte...vou continuar a ler, com toda a atenção!)

Beijinhos

Maria P. disse...

Não sei, se sei suportar dores...

Bjo*

jardinsdeLaura disse...

Súbita Mente,
Gostei muito do teu texto!
Achei-o impregnado duma doce mas intensa nostalgia... que aliás despertou em mim imagens de outros tempos, de outros espaços com outras gentes... que tanto amei!
Tive mesmo de parar... para evitar a lágrima que acordaste em mim!
Doce SAUDADE... tão sentida e tão sofrida!
Sabias que esta palavra é só nossa... em mais nenhuma outra língua lhe encontras equivalente??
Fica bem e até breve!

venezia disse...

o que arde também cura...

:)*

~pi disse...

chama se crescer

desaprender?

a escrita aa sombra e a luz,

vida(




beijo




~

MagyMay disse...

É assim...ou mais ou menos assim. Chamo-lhe o apaziguar, a necessidade de aceitar e continuar.
Fechar uma porta mas olhá-la sempre.

(revi-me em "na figura do meu amigo invisivel e inventado que trouxera da infância e que houvera guardado no armário por vergonha" tb o tenho..e é um "privilégio" ter, acho)